
Cristiana Bolli • @menopausa.cristianabolli
Especialista em sexologia somática, com mais de 700 pessoas atendidas na Europa
Entendendo o Colapso Sensorial
O que a maioria das explicações sobre prazer ignora é o contexto em que ele se perde.
Durante a menopausa, o sistema nervoso não está quebrado.
Ele está funcionando muito bem.
Diante do acúmulo de estímulos, exigências e protocolos — terapia hormonal, nutrição, atividade física adaptada, personal trainer, laser vaginal, fisioterapia pélvica, acompanhamento psiquiátrico, terapia de casal — o sistema entra em modo de alerta contínuo.
Esse excesso de frentes cria esforço constante.
E quando o sistema nervoso percebe que há estímulo demais, ele faz algo muito inteligente:
reduz o volume das sensações.
Isso é o colapso sensorial da menopausa.
A dor permanece — porque é sinal de alerta.
Mas o prazer, o desejo, a excitação sutil e a sensação de plenitude são colocados em segundo plano.
Não porque desapareceram.
Mas porque não há espaço para senti-los.
O Prazer é uma Função do Sistema Nervoso
O prazer não é uma função genital isolada.
Ele é uma função do sistema nervoso.
Ele acontece quando há:
O córtex somatossensorial processa o toque.
O sistema límbico dá sentido, vínculo e motivação.
Quando o sistema está ocupado demais tentando dar conta de tudo, o prazer não some — ele não é priorizado.
Zonas Erógenas Não Desaparecem — Elas Saem do Ar
Zonas erógenas são regiões ricas em terminações nervosas: clitóris, mamilos, lábios, pescoço, parte interna das coxas — e muitas outras.
Na menopausa, a anatomia continua lá.
O que muda é a qualidade do sinal.
O excesso de esforço, vigilância e correção constante afeta diretamente a transmissão sensorial.
O toque pode ficar neutro, distante ou irritante.
A excitação pode não surgir espontaneamente.
Isso não é falta de libido.
É desconexão sensorial.
A Excitação Precisa de Segurança — Não de Esforço
A excitação depende do sistema nervoso parassimpático, responsável por abertura, regeneração e prazer.
Quando você está tentando:
esse sistema não entra em ação.
Mais esforço não gera mais prazer.
Gera mais alerta.
O Prazer é uma Experiência de Corpo Inteiro
O prazer não está limitado aos genitais.
Ele pode emergir na pele, na respiração, no movimento, no ritmo interno.
Mas para isso, o sistema precisa desacelerar o suficiente para sentir.
Prazer não é mais uma tarefa.
É um estado regulador.
Por Que Isso Importa
Regulação não significa que seu sistema esteja errado.
Significa que ele está te mostrando o caminho.
O prazer funciona como bússola.
Ele indica onde há segurança, integração e vitalidade.
Ele é a liga invisível entre:
O Primeiro Passo: Mínimo Possível Positivo Viável
Sair do colapso sensorial não exige intensidade.
Exige menos.
O menor gesto sensorial que:
Esse mínimo é suficiente para iniciar a mudança.
É assim que o prazer volta.
É assim que a plenitude se constrói.
Referências bibliográficas
Especialista em neuroplasticidade aplicada ao corpo feminino, com mais de uma década de estudo e prática clínica, Cristiana criou uma abordagem que integra saúde hormonal, escuta somática e vitalidade sensorial.
Especialista em neuroplasticidade aplicada ao corpo feminino, com mais de uma década de estudo e prática clínica, Cristiana criou uma abordagem que integra saúde hormonal, escuta somática e vitalidade sensorial.